Este fim de semana estive na casa de meu amigo Pedro para, com outros amigos, jogarmos um carteado e também jogarmos conversa fora... Ao nos mostrar as fotos de sua recente viagem pela Itália, um fato nos chamou a atenção: entre as fotos, havia a foto de duas crianças...
Vejam que interessante: em uma viagem à Roma, à Assis e a outras cidades, onde a História é inalada com o ar, onde se pode contemplar obras de inestimável valor, Igrejas centenárias, a Basílica de São Pedro, como a Capela Sistina pintada por Michelangelo, o Coliseu, etc., também chamou a atenção de meu amigo turista a presença de duas crianças – não juntas – em determinados locais, as quais mereceram um click, com a mesma admiração causada pelas citadas obras históricas.
Veio então a estranha, porém real explicação: durante sua estada em Roma, constatou-se que, ali, criança era um “bicho” em extinção, sendo que a presença de uma dessas “espécies” causava uma distorção na “paisagem natural” onde predomina a população idosa.
Que cenário triste. Em diversos veículos de comunicação já foram divulgados dados estatísticos que confirmam a constatação empírica do meu amigo Pedro. A Europa está sofrendo um processo de “suicídio demográfico”. Alguns países chegam a conceder incentivo financeiro a casais que corajosamente acolham no seio de sua família mais de um filho... (basta uma rápida pesquisa na internet para encontrar notícias neste sentido).
Isto é realmente muito triste. Triste e preocupante.
É triste porque nada se pode comparar à alegria da paternidade. Isso eu digo pela minha própria experiência.
Com certeza, a plenitude causada pela maternidade também é algo indizível. Isso eu digo pela proximidade com que vivencio a experiência da minha esposa.
Ah, como eu gostaria de compartilhar com os Italianos a alegria diária transmitida pela minha filhinha que completará dois anos de idade neste mês de maio.
Se não posso compartilhar com os Italianos, compartilho com você que está lendo este blog.
Sim amigo (a), ser pai nos dá a incrível chance de contemplar o dom da vida se realizar a cada dia!!! Não só se iniciar, mas se desenvolver, crescer... A oportunidade de comprovar como cada ser humano é dotado de uma capacidade singular de interagir com o meio em que vive: cada sorriso, cada tentativa de dar um passo, cada balbuciar de sons que a criança emite, na tentativa de imitar as palavras que ela escuta. Isso só pode acontecer porque em seu interior existe uma alma, uma razão que não cabe lá dentro, mas que de várias formas tenta se expressar e tenta se firmar como indivíduo com a inteligência e vontade que lhes são próprios...
Ah, meus (minhas) amigos (as), o que dizer então quando aqueles grandes olhinhos negros se fixam no seu e, pela primeira vez entram em seus ouvidos a palavra “papai”... momento mágico... inacreditável... Como é possível? Para um ser humano, para uma filha de Deus, eu, euzinho, cheio de falhas, dúvidas, inseguranças, incertezas ser chamado de PAI !?!
Pois é... não pára por aí... a confiança depositada, a sensação de proteção e segurança que a pequena espera de você... as brincadeirinhas que ela faz, parece que sabendo o jeito exato e necessário para chamar a tua atenção e te conquistar... também os choros...
Olha, é só estando na pele mesmo para tomar consciência da maravilha e profundidade que tudo isso significa para o ser humano.
Certa vez eu ouvi uma pessoa muito sábia dizer: todo o ser humano nasceu para a paternidade e para a maternidade (mesmo que não seja biológica, mas espiritual), sendo que dificilmente encontrará significado para sua existência se não vivenciar tais finalidades humanas fundamentais. Isso é a mais pura verdade...
Por isso a tristeza que sinto ao saber da situação da nossa cultura atual: o ser humano perdendo sua identidade, seus valores e, portanto, perdendo-se a si mesmo em seu individualismo irracional. Ser pai, é óbvio, não é só alegrias... é também um verdadeiro drama... Mas só vive verdadeiramente quem tem a coragem de abraçar a dramaticidade da vida, com todos os seus percalços, ao invés de simplesmente deixar a vida passar.
É para isso que um casal deve se unir: para abraçar a vida em todas as suas dimensões e responsabilizar-se, comprometer-se um com o outro e com sua família... assim o verdadeiro amor é construído... não o falso amor que somente se satisfaz quando o outro simplesmente está lá para suprir algum interesse pessoal. Não. Mas o verdadeiro amor que realiza o ser humano, que implica em gastar-se pelo outro, em perder-se não em si mesmo, mas no outro, em servir, em ser apoio, companheiro, na alegria, na tristeza...
Para não me estender muito além do que já escrevi, manifesto minha preocupação com o fato constatado. Tomando como exemplo as obras de arte, os monumentos e locais, citados no início, nada mais são do que fruto da construção de uma civilização, de uma cultura. Melhor dizendo: da NOSSA civilização e da NOSSA cultura, que, historicamente foram as responsáveis pelo mínimo de organização social que temos hoje...
Ora, como é que uma cultura pode subsistir se as pessoas que seriam as continuadoras dessa cultura não existirem? Se não houver descendentes, quem irá receber e preservar os ensinamentos dos ancestrais? Preocupante... Façamos a nossa parte!!!